sexta-feira, 15 de maio de 2009

LIVROS SOBRE JÓIAS XIX

Quando falamos do fabuloso mundo das jóias e da joalharia, tendemos a falar apenas da produção europeia ou, no mínimo, ocidental. No entanto, hoje a criação de jóias está também muito centrada em países que não pertencem a esse universo: é o caso da Índia (actualmente um dos principais produtores nesta área) ou a china, ou outras regiões do Oriente. Acresce que, na actualidade, estão na moda as tendências tribais ou exóticas, pelo que é imperativo olharmos também para essas latitudes.

Serve isto para introduzir um livro que nos agradou particularmente, quer pela qualidade das suas reproduções, quer pela riqueza do seu texto. Trata-se de Jewellery of Tibet and the Himalayas, de John Clarke (V&A Publications).

Falamos de um pequeno livro de 128 páginas mas cuja qualidade gráfica (produção inglesa do Victoria & Albert Museum) nos deixa fascinados com as cores e a originalidade da joalharia oriunda do Tibete e dos Himalaias. São jóias tradicionais, antiquíssimas, mas que têm algo de moderno: ouro magnificamente trabalhado, pedras coloridas, contas em jade ou turquesa. Peças que são, afinal, actualíssimas e perfeitamente na moda. Neste livro, que tem também um texto muito interessante, os criadores podem buscar inspiração para muitas das suas criações.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

DIAMANTE AZUL

O Público noticia hoje a venda pela Sotheby's, em Genebra, de um raríssimo diamante azul com sete quilates, por um valor de 6,8 milhões de euros, um record neste tipo de leilões. Recorda-se que o diamante azul está entre os mais belos e raros e que esta peça tem características excepcionais, sendo de uma extraordinária pureza. Foi descoberto há cerca de um ano na famosa mina Cullinan, na África do Sul.

O comprador, que não é conhecido, terá agora o privilégio de baptizar este diamante, dado tratar-se do seu primeiro dono. Esta pedra preciosa passará, a partir de hoje, a integrar a galeria dos mais famosos diamantes do mundo.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

ESPAÇO DE ARTE

A recente inauguração de uma galeria de arte no Spot Fashion (antigo Centro Comercial da Beloura) é um acontecimento que seria, já de si, de assinalar. É-o ainda mais quando se trata da Espaço de Arte, a galeria dos nossos amigos Alba Simões e José Moreira.

A Espaço de Arte é dedicada prioritariamente à pintura de Alba Simões, uma artista de grande talento e que tem vindo a ganhar um merecido reconhecimento, não apenas em Portugal mas também em diversos outros países da Europa e do Oriente (veja-se, nomeadamente, o êxito das suas recentes exposições em Macau e no Luxemburgo). Aí podemos tomar contacto com a sua obra, desde a fase mais geométrica até às suas actuais explosões de cor e de sentimento. Contudo, esta galeria é também um espaço aberto a outros artistas e a outras formas de arte, desde a escultura até à joalharia.

Recentemente, Ana Calheiros foi convidada a expor aí as suas peças com um carácter de permanência, verificando-se uma total simbiose entre estas duas formas de expressão artística. Assim, convidamos as nossas leitoras e clientes a visitarem este bonito espaço de arte, onde serão muito bem recebidas por essa dupla simpatiquíssima que é a Alba e o Zé.


terça-feira, 31 de março de 2009

FEEL WOMAN 2009

No período de 20 a 22 de Março estivemos presentes, como vem sendo habitual, em mais uma sessão da Feel Woman, a feira da mulher. A Ana Calheiros - Jewellery Designers fez-se representar com um stand na parte comercial, onde apresentámos as mais recentes colecções e onde oferecemos às nossas clientes a possibilidade de adquirir essas jóias com um agradável desconto. Uma vez mais constatámos que a mulher portuguesa está cada vez mais elegante, para o que muito contribui o seu gosto pelas jóias.

Para o ano que vem prometemos voltar, mas até lá lançaremos diversas iniciativas de que vos daremos conta neste blogue.

segunda-feira, 30 de março de 2009

LIVROS SOBRE JÓIAS - VIII

Alguns leitores pediram-nos que indicássemos um livro de referência sobre o mundo da joalharia, um manual com técnicas, materiais e definições. Não é tarefa fácil, visto haver inúmeras obras no mercado sobre esta temática e obras com muita qualidade. No entanto, mergulhando na nossa biblioteca encontrámos uma obra que consideramos muito completa e que se constituirá, sem dúvida, numa leitura muito interessante para todos os apaixonados pelo mundo das jóias. Trata-se de Jewelry. Concepts and Technology, de Oppi Untracht (Robert Hale, London, 1985).

Nesta obra de mais de oitocentas páginas, com inúmeras ilustrações e fotografias, o nosso leitor poderá encontrar informação muito importante sobre conceitos, sobre as mais diversas técnicas de trabalhar os metais, sobre as gemas e sua cravação e ainda sobre as diversas ferramentas de que é necessário dispor para o desempenho desta fascinante profissão. No final encontrará ainda um bom glossário e bibliografia. Podemos, assim, afirmar que se trata de um manual essencial para quem queira dedicar-se a esta nobre arte da fabricação das jóias.

CITAÇÃO DO DIA


"Luxury lies not in richness and ornateness but in the absence of vulgarity."

Coco Chanel

domingo, 22 de fevereiro de 2009

JÓIAS DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

A nossa empresa foi recentemente escolhida para elaborar uma colecção de jóias para a Assembleia da República, inspirada nos elementos decorativos do Palácio de S. Bento. Foi, assim, promovida uma visita de estudo, com o fim de procedermos à identificação de alguns elementos que nos suscitassem especial interesse para a elaboração de peças que pudessem ser apelativas para a mulher portuguesa. O resultado foi a produção das colecções "Passos Perdidos" e "Mosteiro".

Essas peças, que foram aprovadas pelos responsáveis da Assembleia da República, podem hoje ser adquiridas, em exclusivo, na loja do Palácio de S. Bento. São jóias fabricadas exclusivamente em prata e com uma edição muito reduzida, ideal para coleccionadoras e para mulheres que apreciam a originalidade.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

CITAÇÃO DO DIA


"The saddest thing I can imagine is to get used to luxury."

Charlie Chaplin

sábado, 17 de janeiro de 2009

IBERJOYA 2009

Como habitaulmente, realizou-se no corrente mês mais uma edição da feira de jóias de Madrid - Iberjoya. Confirmou-se igualmente a tendência que já se vinha sentindo há alguns anos no sentido de esta se estar a tornar uma das feiras de referência a nível internacional.

Por entre muitos compatriotas nossos, seja sob a forma de expositores ou de simples anónimos que aí vão ver as últimas tendências da moda, pudemos testemuhar da crescente vitalidade da indústria joalheira do país vizinho, quer a nível do design, com soluções muito arrojadas, quer sob a forma de muitas e novas marcas que vão aparecendo cada ano.

Na ocasião aproveitámos igualmente para fazer novos contactos e juntar alguns nomes aos criadores que já representamos. Enriquecemos, assim, consideravelmente a nossa nova colecção que estamos agora em fase de lançamento, com uma oferta de peças muito bonitas, que aliam o clássico e o moderno, ideais para as ofertas do dia dos namorados. Convidamos desta forma todos os maridos/namorados das nossas clientes a visitarem o nosso showroom onde poderão certamente encontrar peças que serão muito apreciadas pela vossa mulher. Mas também pensámos neles e, assim, poderão as nossas clientes encontrar aqui uma boa colecção de peças masculinas que vão desde os clássicos botões-de-punho, aos mais modernos anéis, fios e pulseiras.
Em próximos posts procuraremos dar aos nossos leitores uma ideia da evolução das nossas colecções.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

NATALIS

Este ano, a Feira de Natal de Lisboa, que se realizará na FIL (ao Parque das Nações) entre 06 e 14 de Dezembro, vai contar com a presença de um stand Ana Calheiros. Aí, a um preço muito agradável, as nossas clientes poderão encontrar as nossas mais recentes colecções e adquirir um original presente de Natal

As jóias Ana Calheiros, este ano, estão mais originais do que nunca. Convidamo-la, assim, a vir visitar-nos à Natalis!

COLECÇÃO DE JÓIAS DA A.R.

É verdade! Finalmente pode encontrar, em exclusivo na loja da Assembleia da República, a nova colecção de jóias em prata Ana Calheiros elaborada com base na inspiração resultante de uma visita ao Parlamento. Aí pode, de facto, encontrar as nossas colecções exclusivas para a AR, compostas por anéis, pulseiras e colares, todos fabricados em prata e com um original desenho contemporâneo.

Convidamos as nossas leitoras a descobrir as nossas peças na loja da Assembleia da República (no Palácio de São Bento), onde poderão adquirir um original e exclusivo presente de Natal a um preço muito convidativo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

LIVROS SOBRE JÓIAS - VII

Quem é que não ouviu ainda falar da marca TOUS, a companhia catalã que se tornou mundialmente célebre com o famoso ursinho que, dos colares depressa passou para as malas e para os lenços e que hoje está um pouco por todo o lado, multiplicando-se constantemente o número de lojas e o público que colecciona as suas peças. Trata-se, de facto, de um dos maiores exemplos de sucesso da moderna indústria espanhola e do célebre design catalão.

O que talvez nem toda a gente saiba é que a TOUS nasceu a partir de uma pequena joalharia na cidade de Manresa, bem perto de Barcelona. Como a maior parte dos negócios, atravessou momentos difíceis, e partiu para a fama através da ocasional descoberta do urso e de uma muito bem conseguida campanha de marketing em que foram chamadas a participar as mais célebres personagens do jet set do país vizinho.

Tudo isso, toda essa aventura extraordinária, nos é contada com grande detalhe na obra de Anna R. Alòs, Los Tous: Historia de una familia, una empresa y un osito hecho joya (edição La Esfera de los Libros). Ilustrado com grande quantidade de fotografias, onde podemos nomeadamente ver as mais diversas campanhas publicitárias da marca, este livro descreve-nos o crescimento e as estratégias da marca TOUS, dando-nos um exemplo claro da forma como se lança um produto neste mundo tão competitivo da joalharia e dos acessórios para mulher. Um exemplo a reter.

IBERJOYA 2008

Estivemos recentemente na última edição da Iberjoya, em Madrid, sendo de destacar não apenas o contínuo crescimento desta feira internacional de joalharia, mas também o aumento considerável da presença portuguesa, quer ao nível de expositores quer de público em geral. Vimos, de facto, diversas empresas nacionais e, pelo que pudemos constatar, com uma apreciável aceitação junto dos profissionais espanhóis.

Sobre as novas tendências, há a destacar a continuação da presença em força das pedras, de todas as formas e feitios, grandes e vistosas, mas agora decorando também espectaculares animais da selva e savana tropicais: cobras, tigres, iguanas, sapos e moscas. Nas pratas, afinal a área que mais nos interessa, realce para a grande presença de uma nova tendência da moda: o tribal chic, com muita mistura de elementos em prata, pedra e couro. As pulseiras de couro estão outra vez muito na moda e aparecem em força as jóias para homem. Também aqui a mistura de materiais: prata, aço, borracha e couro.

Aproveitámos a ocasião para ver o que se está a fazer noutras paragens, a Europa, a Ásia, as Américas, e aproveitámos para enriquecer as nossas colecções com muitas peças das mais variadas proveniências, bem ilustrativas da evolução da moda no mundo da joalharia em prata.

domingo, 7 de setembro de 2008

CITAÇÃO DO DIA


Coco Chanel: "Luxury is a necessity that begins where necessity ends."

sábado, 30 de agosto de 2008

LIVROS SOBRE JÓIAS - VI

Como se pode ver em anteriores posts, admiramos muito a figura e obra de Mestre Goudji, razão pela qual temos um entusiasmo especial em divulgar a sua obra junto do público português que ainda não o conhece. Não havendo, infelizmente, no nosso País grandes hipóteses de realização de uma grande exposição da sua obra, temos de nos contentar em ler os livros que vão aparecendo sobre a matéria.

A bibliografia sobre a riquíssima obra de Goudji é vasta. No entanto, muitas dessas obras encontram-se esgotadas ou têm preços que não são acessíveis para toda a gente. Essa a razão de querermos destacar um livro singelamente intitulado Goudji, de Stéphane Barsacq e Bernard Berthod (Les Éditions de l'Amateur, 2002) que ainda é possível encontrar e que tem um preço bastante razoável.

Esta obra, com uma edição de luxo e grande qualidade gráfica é prefaciada por Hélène Carrère d'Encausse, da Academia Francesa, que começa por considerar Goudji um ourives na linha da grande tradição que vem de Benvenuto Cellini, e mais não é preciso dizer. Contudo, o livro tem ainda excelentes textos de introdução à obra deste genial artista, sempre acompanhados de belíssimas fotografias de grande qualidade, ilustrativas das diversas áreas em que a sua arte tem incidido.

Antes que esgote (e é certo que esgotará) convidamos os nossos leitores a conhecerem este magnífico livro que contém algumas das mais belas peças feitas no campo da ourivesaria.

GRANDES OURIVES: CARLOS PASCOAL

O mundo da joalharia, que tem despertado o fascínio de muita gente, não existiria sem a criatividade e o trabalho árduo dos joalheiros. De facto, embora esta afirmação seja óbvia e, portanto, aparentemente desnecessária, a verdade é que a maior parte dos apreciadores de jóias esquece-se muitas vezes do trabaho que está na base da peça que têm na sua mão. Por isso, decidimos, aqui neste blog, iniciar esta nova secção dedicada aos grandes ourives e joalheiros. Obviamente que, havendo milhares de pessoas que, em todo o mundo, podem cair sob essa designação, a escolha feita tem muito do nosso gosto pessoal e da vontade de vos mostrarmos alguns artistas que consideramos de primeiro plano.

Começámos com Goudji, um mestre reconhecido por todos. Decidimos agora chamar a atenção para os portugueses. Poderíamos falar de alguns dos nossos artistas preferidos como Luís Ferreira ou Miguel Almada, mas decidimos começar por um autor que verdadeiramente nos surpreendeu com a originalidade da sua obra e que teve o mérito de nos fazer descobrir o Mestre Goudji: falamos do lisboeta Carlos Pascoal.

A obra originalíssima de Carlos Pascoal é uma homenagem a todas as culturas e raças do planeta, sendo que cada uma das suas peças tem um significado muito particular, razão que o leva a apelar para que as mulheres usem as suas jóias não como meros objectos decorativos, mas como verdadeiros talimãs. A inspiração vai buscá-la a culturas antiquíssimas, a locais remotos, tanto no Oriente como nas Américas, por entre citas, caldeus, chineses, indianos e brasileiros. Os materiais são os clássicos: ouro, prata, madeiras nobres.

Conhecer Carlos Pascoal é mergulhar, através da simplicidade do seu carácter, na complexidade de uma obra fascinante em que cada peça tem um nome, uma explicação, uma história. Jóias/talismãs que integram jogos, poemas ou que são simplesmente portadoras de mistérios e sabedoria milenares.

LIVROS SOBRE JÓIAS - V

Um motivo que tem sido tradicionalmente muito utilizado na joalharia é o dos animais, sobretudo animais exóticos. Este tema deu-nos, com efeito, algumas das mais belas peças da ourivesaria, pela mão de criadores tão famosos como Cartier, Tiffany ou Fabergé .

Hoje, é um tema muito em voga, pois volta a ser muito utilizado nas jóias contemporâneas, sendo de destacar que, na próxima época, estarão muito presentes os animais exóticos das selvas africanas e das paisagens orientais.

Assim, é importante dar notícia de uma obra que, não sendo recente (a primeira edição data de 2001, tendo sido reeditada em paperback em 2007), é uma referência na matéria: The Jeweled Menagerie. The World of Animals in Gems, de Suzanne Tennenbaum e Janet Zapata (Thames & Hudson).

Aqui encontramos toda a riqueza da joalharia Art Nouveau e Art Deco, bem como tudo o que lhe sucedeu até ao presente. O interessante texto que compõe este livro é acompanhado por uma riquíssima colecção de fotografias de grande qualidade, ilustrativas do melhor que se fez em cada época.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

GRANDES OURIVES: GOUDJI

Com este texto damos início a uma série de posts sobre os grandes mestres da ourivesaria, em Portugal e no mundo. A escolha que fazemos das figuras que consideramos mais relevantes tem, certamente, muito de pessoal e não pode deixar de traduzir um pouco do nosso próprio gosto. Contudo, para iniciar esta série escolhemos um homem que dificilmente deixará de colher o consenso de todos os que nos lêem, tal é a grandeza da sua obra e o reconhecimento internacional que a mesma tem recebido: Mestre Goudji.

Nascido em 1941, na Geórgia, desde cedo toma consciência da sua vocação para a ourivesaria, pelo que, chegado a Moscovo, capital do império soviético, vai procurar concretizar o seu sonho, defrontando-se, no entanto, com obstáculos quase intransponíveis, dado que os particulares não estão autorizados a adquirir metais preciosos. O seu primeiro trabalho vai, assim, resultar da necessidade de fundir duas colheres de prata que lhe havia deixado o seu avô.

O amor, contudo, vai levá-lo a Paris, depois de várias peripécias para conseguir sair de território comunista. Naturaliza-se francês e pode, então sim, passa a dedicar-se à sua paixão: a ourivesaria.

Embora a sua obra seja originalíssima e certamente das mais belas da actualidade, sentem-se facilmente as influências que recebeu dos grandes artistas da antiguidade clássica, sendo de destacar a produção dos Citas, um povo nómada e guerreiro, que habitou, há muitos séculos, territórios vizinhos da sua Geórgia natal e que trabalhava o ouro como ninguém. Igualmente a influência da Mesopotâmia e da arte sacra medieval são evidentes.

Goudji, no entanto, depressa irá sentir uma tendência especial para a criação de peças de grande valor cultural, começando pelas espadas dos membros da Academia Francesa e, agora, grandes trabalhos para a Igreja e para Suas Santidades os Papas João Paulo II e Bento XVI.

As suas criações, fruto de uma originalíssima técnica de trabalhar os metais preciosos, inspirada nos métodos da Idade Média e com recurso a ferramentas criadas por si próprio, incluem materiais que os actuais ourives têm vindo a deixar cair no desuso, como é o caso da madrepérola ou o lápiz-lazuli. Trata-se, portanto, de um artista que veio renovar a joalharia contemporânea, fazendo a recuperação de métodos tradicionais e criando peças que nos levam a acreditar que o belo ainda é possível. Foi, portanto, fácil a escolha da personalidade com quem inaugurar esta nova série do nosso blog.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

LIVROS SOBRE JÓIAS - IV

O mundo da joalharia é particularmente susceptível de despertar o sonho, a cobiça ou mesmo certas obsessões ligadas ao fenómeno do coleccionismo, havendo gente capaz de oferecer verdadeiras fortunas por uma determinada peça que falta na sua colecção privada. Entre as peças que maior interesse despertam surgem, antes de mais, os diamantes, sobretudo aqueles relacionados com uma determinada história envolvendo roubos famosos ou derramamento de sangue. Também determinados objectos que pertenceram à realeza, como o célebre colar de Maria Antonieta, ou as jóias da coroa inglesa. Entre estes últimos, natural destaque merecem os muito famosos ovos da casa Fabergé, objecto do coleccionismo da família Imperial russa.

Sobre estes ovos ricamente decorados em ouro, esmalte e pedras preciosas já muitas obras se publicaram. Normalmente, livros que se esgotam rapidamente e que nem sempre são reeditados. Por isso é tão importante o aparecimento de uma nova obra dedicada ao tema, desta feita Fabergé's Eggs. The extraordinary story of the masterpieces that outlived an Empire, de Toby Faber (Macmillan, 2008). Esta obra descreve a forma como nasceu e cresceu a casa do joalheiro Carl Fabergé, em São Petersburgo, mas vai também até à tristemente célebre Revolução de Outubro, à pilhagem dos palácios imperiais e à febre dos coleccionistas actuais, não só a família Forbes, mas também a dos novíssimos milionários russos que, a pouco e pouco, vão fazendo regressar os ovos ao país que os viu nascer.

Trata-se de uma obra muito interessante, com curiosas e belas fotografias sobre estes ovos que fascinaram o mundo e que marcaram indelevelmente a história da joalharia.

THE WILLIAM AND JUDITH BOLLINGER JEWELLERY GALLERY

Sempre considerámos o Victoria & Albert Museum, de Londres, um dos melhores museus de artes decorativas do mundo. De facto, aí podemos encontrar uma parte importante das peças originais que vemos constantemente reproduzidas em tantos livros de arte. Contudo, se tal fosse possível, poderíamos mesmo afirmar que recentemente o V&A ficou ainda mais fascinante.

Este Museu é conhecido por ter uma das mais importantes colecções de jóias da actualidade. Uma colecção que abrange peças de 800 AC até à actualidade. Contudo, é também uma colecção em permanente actualização e que tem sido consideravelmente enriquecida nos últimos anos, com a aquisição de importantes jóias e com a doação de colecções inteiras de generosos messenas. Tudo isso se encontra agora patente ao público na nova galeria de joalharia de William e Judith Bollinger.

Nesta nova galeria, recentemente aberta ao público, podemos encontrar toda a história da joalharia, desde a pré-história até às mais modernas peças da joalharia contemporânea, passando pela Idade Média, pelos riquíssimos séculos XVIII e XIX e pelas peças maravilhosas de grandes artistas como Cartier e Boucheron.

Por entre as montras do primeiro andar podemos ver várias peças portuguesas do século XVIII, sobretudo alfinetes de diamantes e de minas novas. No segundo andar, onde encontramos uma interessantíssima mostra de jóias tradicionais, lá descobrimos os nossos corações de filigrana e outras peças.

Trata-se, sem dúvida, de uma exposição que todos os amantes de jóias não podem perder, sobretudo nesta semana onde, em Londres, se multiplicam as exposições e outros eventos em torno do mundo da joalharia. Mas, disso, falaremos mais tarde.